ENTREVISTA AO LINGUISTA, DANIEL PERES SASUKU, DOCENTE DA FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

«Pensamos, de igual modo que a implementação dessas línguas no ensino é uma forma mais concreta de seu resgate e preservação enquanto património cultural dos angolanos». 

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Daniel Peres Sasuku, nascido aos 12 de Janeiro de 1972 em Saurimo província da Lunda-Sul. É licenciado em Pedagogia aplicada opção: Francês e Linguística Africana pelo Instituto Superior Pedagógico de Lubumbashi (ISP) na RDC. Com estágio de especialização em línguas africanas na Universidade de Dar-salam na Tanzânia e no Museu de África Central de Tervurem (Belgica). É mestre em Tratamento da Informação e Comunicação Multilingüe, especialidade Formalização linguística, opção linguística Geral no departamento de Filologia Românica da Faculdade de Letras pela Universidade Autónoma de Barcelona em Espanha. Actualmente, docente, investigador e chefe de departamento de Línguas e Literaturas Africanas na faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto em Luanda, Angola.

MK - Fale-nos das línguas nacionais e da sua implementação no sistema de ensino.

DPS - As línguas nacionais, em Angola, são consideradas como línguas regionais, línguas de comunicação da maioria dos povos angolanos residentes fora das cidades e nas cidades do interior do país. Logo, são línguas maternas de muitos angolanos. Por esta razão, a sua implementação no sistema de ensino virá resolver os problemas de incompatibilidade e de compreensão pelos alunos que têm estas línguas como maternas. Pensamos, de igual modo que a implementação dessas línguas no ensino é uma forma mais concreta de seu resgate e preservação enquanto património cultural dos angolanos.

MK - Quais são as vantagens e desvantagens da implementação das línguas nacionais no sistema de ensino?

DPS - Nesta perspectiva, pensamos simplesmente nas vantagens e não nas desvantagens. Eis que as vantagens são valiosas que as desvantagens. Concretamente, apontamos o carácter da escrita das línguas nacionais, a uniformização dos alfabetos das mesmas, produção dos livros como suporte didáctico que possibilite o ensino e, detrás disso tudo, o incentivo às populações citadinas de aprender a ler, escrever e falar essas línguas. Quanto às desvantagens, achamos que são de ordem tendenciosa. A maior vantagem que proporciona este facto é das línguas nacionais competirem na administração angolana com a língua oficial, o português. Não vimos nenhuma inconveniência ao inserir as línguas nacionais no ensino.

MK - O que as línguas nacionais representam para a população angolana?

DPS - Já o disse implicitamente que as línguas nacionais são a riqueza linguística e identidade cultural. Elas são um património que a todo custo deve ser preservado. Logo, representam toda uma cultura e toda uma filosofia de um povo passando por uma língua. Logicamente, elas representam uma cultura de cada grupo etnolinguístico de Angola.

MK - Que condições são necessárias para o ensino das línguas nacionais?

DPS - Para o ensino das línguas nacionais é preciso a formação dos quadros competentes na especialidade de Línguas e Literaturas Africanas como primeiro requisito. Em seguida, ser locutor nativo de uma das línguas nacionais para melhor interpretar as técnicas científicas de ensino.

MK - Quando se fala da implementação das línguas nacionais no ensino é necessário pensar no material de trabalho, como serão ministradas as aulas, já temos manuais e livros em línguas nacionais?

DPS - Naturalmente é uma questão muito delicada. Podemos dizer que já existe um projecto do ministério da Educação em colaboração com o INIDE para a elaboração dos manuais. Do que temos conhecimento, há livros para o ensino básico e do primeiro ciclo. Para os outros níveis, o projecto está em curso. A nível da Universidade Agostinho Neto, através da Faculdade de Letras, especificamente, o departamento de Línguas e Literaturas Africanas, muito brevemente fará o lançamento de livros de leitura em Kikongo e Umbundu para o apoio aos estudantes do Curso de Línguas e Literaturas Africanas. Esta foi a iniciativa da Faculdade de Letras. Também para dizer que está em curso a recolha de dados para as outras línguas com o mesmo propósito.

MK - Na sua opinião o que se pode fazer para estimular as pessoas a falarem as línguas nacionais?

DPS - A questão não é de falar as línguas nacionais. O problema maior é de como mudar a mentalidade e o estigma de complexo de inferioridade. As línguas são bem faladas somente nas zonas periféricas (caso de Luanda) e nas cidades do litoral (Sumbe, Lobito, Benguela, Namibe). Todo o interior do país, a população fala a língua nacional. Para a camada dita “intelectual” pensa que falar uma língua nacional na cidade ou no público é se rebaixar ou ser atrasado. Estimando que o desenvolvido é aquele que fale a língua portuguesa no público. Acho que em pleno século XXI, onde reina o multilinguismo, a pessoa evoluída é aquela que fala mais línguas (não sendo só as línguas estrangeiras, português, inglês, francês, espanhol; etc.). Por isso, no caso das línguas nacionais, as famílias angolanas devem falar as suas respectivas línguas para transmiti-las às crianças. Que sejam línguas maternas e de comunicação nas famílias. Outrossim, que o governo seja capaz de definir as políticas linguísticas no país que confere o verdadeiro uso dessas línguas.

MK - Como tem sido essa experiência da Faculdade de Letras no ensino das línguas nacionais?

DPS - Olha, a experiência da Faculdade de Letras não é fácil. A princípio, nós não ensinamos aos estudantes falar uma língua nacional. O propósito é de ensinar as técnicas de descrição dessas línguas. Aproveitam melhor, os estudantes que têm como língua materna uma língua nacional para aplicar nela as diferentes noções linguísticas aprendidas nos níveis da fonética, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e lexicologia. Contudo, as noções aprendidas, teoricamente sobre uma ou outra língua nacional, podem levar um estudante a bem falar uma delas de seu interesse étnico.

MK - Sabemos que a Faculdade de Letras ministra as línguas “Cokwe, Kimbundu, Kikongo, e Umbundu”, podemos falar em mais línguas num futuro próximo?

DPS - Com certeza que sim! As quatro línguas existem na perspectiva experimental. Também quando tivermos mais quadros e profissionais nesse domínio será possível alargarmos o número das línguas. Considerando o número excessivo das línguas nacionais em Angola, a intenção é de termos também profissionais que representem cada língua nacional para defendê-la em todos os sentidos ou melhor no plano científico. Temos que mencionar que a Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto é a única instituição, entre as estatais e privadas, no país que tem curso de línguas africanas e/ou angolanas. Por conseguinte, incumbe-lhe a eventual responsabilidade de estudar as línguas nacionais em todo o território nacional. Claramente, todas as línguas bantu de Angola são de interesse científico para a Faculdade de Letras.

MK - Em que reside a diferença das línguas nacionais com a língua portuguesa?

DPS - De facto, existem muitas diferenças. Aqui vou apontar, primeiro, a de origem genética. A maioria das línguas de Angola é de origem do proto-Bantu, com a subfamília de Níger-Cordofânia, passando pelo grupo Níger-Congo e dele para o grupo Bantuídeo e finalmente a subfamília bantu. Guthrie apresenta todas as línguas de Angola em três zonas linguísticas, nomeadamente H (Kikongo e Kimdundu), K (Cokwe, Ngangela, Lucaji, etc), R (Umbundu, Kwanyama, etc).

O português é do indo-europeu e da subfamília românica, com muita aproximação ao latim como língua mãe de que deriva as outras como espanhol, francês, italiano, catalão, etc.

O segundo plano da diferença reside quanto a mim, na colocação das categorias semânticas do substantivo (número, género e grau). Todas estas categorias funcionam em LB na posição prefixada enquanto em LP na posição sufixada. Alguns exemplos:

LN                                                                       LP

a) Número

nwé ———>nwé (dedo/dedos)                              mala ——-> malas

/mù-nwè/       /mì-nwé/                                                   /Ø-mala/        /Ø-mala-s/

PN3   BN                PN4   BN                                           PNØ-BN          PNØ-malas

Como se pode observar, o número está marcado no substantivo de LB, caso do Cokwe, pelo morfema /mu-/ e /mi-/ respectivamente do singular e plural. Os dois morfemas se colocam na posição anteposta à base. Este facto é contrário no português, o morfema que marca o plural está na posição posposta à base.

b) Grau

munwe (normal)                                                    casa   /Ø-casa/   Normal

lumunwe  (aumentativo)                                         casarão  /Ø-casa-rão/

/lu+mu-nwe/    “dedão”

PN11  PN3   BN

kamunwe (diminutivo)                                                     casinha /Ø-cas-inha/

/ka+mu-nwe/    “dedinho”

PN12  PN3  BN

De igual modo, neste caso, os diferentes graus do substantivo em LB são marcados por prefixos /lu-/ e /ka-/ respectivamente aumentativo e diminutivo. Para o português o grau é, uma vez mais, marcado pelos sufixos /-rão/ e /-inha/ respectivamente do aumentativo e diminutivo.

c) Género

A marcação do género em LB respeita a espécie de seres considerando os animados sexuais e os objectos e insectos porque não sexuais, naturalmente, são neutros. Para o efeito, é preciso buscar os conceitos que designem “homem e mulher” para os humanos, “macho e fêmea” para os animais e “galo e galinha” para as aves. Em língua Cokwe , diz-se “lunga e phwo”, “khuji e cihwo” e “ndemba e cali” respectivamente humanos, animais e aves.

1) mwana wa phwo

/mu-ana + u-a + Ø-phwo/

/PN1-criança+PP1-de+ PNØ-mulher/

Criança de mulher

              Rapariga, menina

2) khuji ya ngulu

/Ø-khuji+ i-a +Ø-ngulu/

/PNØ9-macho + PP9-de +PNØ9- porco /

macho de porco

porco

3) cali ca lyembe

/ci-ali +ci-a + li-embe  /

/PN7-galinha +PP7-de + PN5-roula/

Galinha de roula

roula

Em língua portuguesa esta realidade não é formulada assim. O certo é que o género é marcado de forma canónica pelos sufixos /-a, -u/ respectivamente feminino e masculino, como por exemplo:

1)   mano ———-> mana

/man-u/             /man-a/

 

2)   Porco ———-> porca

/pork-u/             /pork-a/

3)   Pato ————> pata

/pat-u/                /pat-a/

A par desses modelos de formação do género o português define o género dos objectos e o género específico de algumas espécies de substantivos.

MK - Como tem sido a convivência do português com as línguas nacionais?

DPS - A convivência do português com as línguas bantu é de estreita relação. Sendo o português a língua oficial e falada pelos jovens e a comunidade intelectual, as línguas bantu não têm tido grande espaço para a sua afirmação. Porém, há que sublinhar que esta convivência cria muitos contactos de ordem fonética, sintáctico-semântica, etc. No domínio de empréstimos, o português tem palavras integradas nelas vindo das línguas bantu como também estas enquadram palavras do português. A título ilustrativo temos as palavras como:

LP                                                              LB

- gato                                                                   ngato

- igreja                                                                 ngeleja

- hospital                                                    xipitali

- enfermeiro                                                fulumelu, etc.

De línguas Bantu para o português, notamos:

LB                                                              LP

Dikamba  “amigo”                                         camba

Kizomba “dança e música”                             quizomba

Kasula “último”                                                      cassule

Dikota “mais velho”                                                cota, etc

São expressões vindas do contacto do português com as línguas nacionais.

No plano sintáctico-semântico quanto ao português falado em Angola é notável as expressões como:

- filho de mulher ou de homem “rapariga ou rapaz” expressão das línguas nacionais  que indique um nome composto “mona wa muhatu ou mona wa dyala”.

- avó de mulher/avó de homem     que provém das línguas nacionais “kuku ya dyala ou kuku ya muhatu”.

- cacoisa em vez de coisinha. Pois, o /ka-/ é o prefixo nominal de classe 12 que designa o diminutivo em línguas bantu.

Como pode observar, existem muitos fenómenos provocados pela convivência do português com as línguas nacionais.

MK - Faz-nos um relatório das línguas africanas e das suas particularidades.

DPS - Falando das línguas africanas é abordar o aspecto das línguas de África e as línguas em África. Para nós, as línguas africanas (de África) são aquelas que pertencem ao povo autóctone, de origem africana. Desta feita, as línguas de África, excepto as indo-europeias (línguas em África) trazidas pelos colonos, se dividem em quatro grandes famílias, nomeadamente Afro-Asiática, Nilo-sahariana, Khoisan e Níger-Cordofânia. Importa salientar que a família de línguas mais extensa é a Níger- Cordofânia de que deriva a subfamília Bantu, cuja línguas Cokwe, Kikongo, Kimbundu, Umbundu e outras são faladas em Angola e toda a África subsahariana.

As particularidades dessas línguas dependem de cada família. Para nós, interessa-nos a família Níger-Cordofânia, que tem a ramificação de Níger-Congo onde se localizam as línguas bantu. Sendo da África subsahariana e da África Austral, especificamente em Angola, a família predominante é a das línguas Bantu. Elas apresentam uma particularidade específica que as distinguem das outras, trata-se do sistema de classes ou prefixos nominais, no plano morfológico. Tem um sistema vocálico de cinco (5) vogais todas elas orais /a, e, i, o, u/ e duas semi-vogais /y, w/. As línguas que apresentam as vogais nasais devem ser explicadas pelos fenómenos acústicos e/ou prosódicos da língua. Nota-se igualmente as consoantes pré-nasais que por características são oronasais, no plano fonético /ng, nk, nd, nt, mb, mp, ns, nz, mv, mf/ e n’algumas línguas a aspiração dos sons como /th, kh, ph, dh, /, etc.

MK - Fale-nos da morfologia das línguas africanas. Dê-nos alguns exemplos.

DPS - Enquanto disciplina da linguística, a morfologia é o estudo da constituição interna das palavras. Os elementos constituintes das palavras são os morfemas que são unidades linguísticas mínimas portadoras de significado. Com isso, a morfologia obedece às normas linguísticas susceptíveis de serem aplicadas em qualquer língua natural. Aqui, trata-se de aplicar a linguística, a nível da morfologia, nas línguas bantu.

Voltando ao assunto, a morfologia das línguas africanas, ou seja das línguas bantu estão caracterizadas pelo sistema de classes (PN) que afecta o nominal. Esses prefixos estão ligados, cada um, a um significado que especifique a nível semântico o substantivo (humano, animal, objecto) para de pois identificar a sua classe. Segundo a tradição bantuísta, as línguas bantu de Angola possuem dezoito (18) classes cujos prefixos estão com ou sem aumento.

Exemplos: mukamba

/mu-kamba/   “mandioca”

PN3   BN

Ocisapa

/o-ci-sapa/       “ramo”

Aum.PN7   BN

Do ponto de vista flexional, os substantivos mudam o número na posição prefixada. Por isso, distinguem-se:

a)    Os biclasses:     mukamba ——> mikamba   “mandioca(s)”

/PN3/ ———> /PN4/

Ocimunu ——-> ovimunu   “ladrão/ladrões”

/PN7/ ——–> /PN8/

b)   Os monoclasses:

mungwa   “sal”

/PN3/: neste substantivo, o PN3 /mu-/ indica um nome incontável e não tem o plural. A língua utiliza a única forma do singular por causa do prefixo do singular.

masoji   “urina”

O PN6 /ma-/ indica que o nome é um liquido e incontável. Na língua é utilizado com único prefixo do polo plural, logo é um monoclasse plurativo.

No plano estrural, distinguem-se substantivos simples e compostos.

a)    Simples: (aum.)+PN+BN

                  Dikamba   “amigo”

/di-kamba/

PN5+ BN

Ocisungo    “canção”

/o-ci-sungo/

Aum+PN7+BN

b)   Compostos:

(aum.)+PN+BN+PN+BN

Kituta tuji    “escavelho”

/ki-tuta+ tu-ji/

PN7+BN+PN13-BN

Existem, de facto muitas composições que não demonstrámos por razões lacónicas e que nas próximas ocasiões poderão constituir nosso ponto central.

Também a morfologia bantu classifica as palavras em diferentes classes gramaticais segundo a utilidade de cada uma delas. Existe, neste caso:

a)    Os nomes: mbongo “dinheiro”, meya “água”, muhela “cama”, uhenya  “glória”, majilo “sujidade” , maseho “sorrisos”, etc.

b)   Os determinantes: ngoma yami  “meu batuque”, matwi aali  “duas orelhas”, ciseke cinji  “muita alegria”, etc.

c)    Os pronomes pessoas: enu nunasoneka  “vós estais a escrever”

d)   Os adjetivos: maphwo a vumbi “mulheres respeitosas”,  cisalo cisuku  “esteira comprida”

e)    Etc.

MK - Como está estruturada a sintaxe das línguas africanas? Dê-nos alguns exemplos.

DPS - Como a morfologia, a sintaxe das línguas bantu está regrada pelo sistema de classes. Na realidade, a combinação das classes gramaticais depende do substantivo que determina a classe em que os acordos poderão ser feitos. Portanto, o substantivo é que comanda todos os acordos sintácticos. Por exemplo:

(1)  citwamo cami aci cipema cili cikolo cinji.

/ci-twamo+ci-ami+a-ci+ci-pema+ci-li+ci-kolo+ci-nji/

/PN7-cadeira+PP7-minha+PP7-esta-PP7+PP7-bonita+IS7-é +PP7-durável+PP7-muito/

Cadeira minha esta bonita é durável muito

Esta minha bonita cadeira é muito durável

Considerando a frase acima, pode-se notar que, para além da musicalidade na sucessão das palavras no eixo sintagmático, o substantivo com a classe 7 é que está a comandar os acordos.

Quanto à construção da frase enquanto unidade maior da sintaxe, encontramos nela:

a)    Uma frase simples com os seguintes núcleos:

(2) Citwamo cyami aci cipema cili cikolo cinji  “Esta minha bonita cadeira é muito durável”.

a.1) Um sintagma nominal:

(3) Citwamo cyami aci cipema  “esta minha bonita cadeira

SN= N: citwamo; D1: cami; D2: aci; Sadj: cipema.

SN

N                       D1                        D2                                Sadj

Citwamo             cyami                      aci                            cipema

a.2) Sintagma verbal

(4) …cili cikolo cinji. “é muito durável

SV= V: cili; Sadj.= adj: cikolo+ adv: cinji.

SV

V                                                      Sadj.

Adj.                            Adv.

Cili                                                         cikolo                             cinji

Podemos observar que a sucessão das classes gramaticais é regida e organizada pelo prefixo nominal (índice que identifica o substantivo de que depende todos os elementos da frase). O esquema sintático é o seguinte:

Classes PN PP PV
7 ci- ci- ci-
citwamo cyami, aci, cipema, cikolo, cinji cili

MK - Enquanto académico, crítico, investigador e professor que mensagem deixaria para a juventude angolana?

DPS - Para mim, a juventude angolana deve empenhar-se e dedicar-se na pesquisa das línguas nacionais. Temos razões suficientes para tal. Primeiro são as línguas, a tradição oral que precisam uma restruturação e descrição para a obtenção dos documentos escritos. Em segundo lugar é a forma mais simples de valorizá-las e resgatá-las até mesmo promovê-las. Outro facto é que devemos ser nós (angolanos) em estudá-las e não os estrangeiros, quer dizer a primeira preocupação deve ser nossa. Devemos entender que estas línguas têm o mesmo valor que ostenta qualquer língua do mundo, considerando o ponto de vista comunicativo. Não importa a civilização nem a cultura do povo mas a sua importância é a comunicação. Devemos ser nós a dar às mesmas o formato científico se quisermos colocá-las na alta roda mundial e sobretudo da globalização. Por isso, a juventude angolana deve trabalhar no máximo na investigação dessas línguas. Recordo uma vez mais que a juventude deve criar gosto pelas suas línguas de origem, amá-las, praticá-las para assim descrevê-las. A juventude angolana deve primar pela vontade de promover o que é seu. Assim, os jovens devem entender que o desenvolvimento sustentado de um país passa pelo desenvolvimento linguístico e da sua comunidade social. Já chegou a hora de se afirmar como independentes em todos os sectores da vida humana.

Por Domingas Monte

9 Comentários em “ENTREVISTA AO LINGUISTA, DANIEL PERES SASUKU, DOCENTE DA FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO”

  1. minany ebo
    7 de Junho de 2013 às 15:26 #

    gostei, mais do que uma entrevista é uma aula de linguística bantu e de lavagem cerebral no que diz respeito a valorização, utilização e promoção das línguas angolanas, gostaria que os investigadores angolanos na área, não deixassem de parte as línguas angolans não bantu.

  2. Domingas Monte
    7 de Junho de 2013 às 15:53 #

    Muito bem, obrigado por apreciares o nosso trabalho.

  3. Estêvão Ludi
    7 de Junho de 2013 às 17:52 #

    A cultura bantu requer desse tipo de mentes, de formas a revitaliza-la. Impressionado!!!

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